Mais de dois meses de greve e a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa não fez nenhuma audiência. Nenhuma!
Governo frustra servidores, que lamentam rumos da relação
Era justa a expectativa dos baianos com a eleição do governador Jaques Wagner, que representou, antes de tudo, um mar de esperança com relação ao fortalecimento da democracia, amparando-se numa nova estratégia de desenvolvimento para o Estado, com o enfoque na melhoria da condição de vida do povo e em detrimento à tradicional preferência pelo contentamento das elites. No campo dos serviços públicos, esperava-se a composição de uma nova máquina administrativa, que atendesse melhor o cidadão, privilegiando a estrutura, as condições de trabalho e a valorização de seus profissionais.
No entanto, as prioridades do Governo, desde o início, foram estrategicamente pautadas numa relação de afinidade umbilical com o Governo Federal e por ações midiáticas de grande publicidade, sobretudo, ancoradas no Programa de Aceleração do Crescimento e suas grandes obras. Entretanto, as ações das autoridades baianas com relação às áreas sociais, de atendimento básico à população, Saúde, Educação e Segurança foram tratadas de maneira descuidada, relembrando a atitude de governos passados.
No ponto de vista do funcionalismo, ainda em 2006, as entidades de representação se dispuseram a colaborar com o clima de mudança, primeiramente, apresentando ao vice-governador eleito, à época, Edmundo Santos, as deficiências da máquina administrativa, oferecendo sugestões eficazes para a redução de gastos, com base no acúmulo de experiência dos servidores, o que foi, estranhamente, ignorado.
Instaurou-se o Sistema Estadual de Negociação Permanente, o SENP, que consistia num fórum de discussão da política de recursos humanos do governo e possuía uma Mesa Central de negociação, para tratar de questões gerais, comuns a todos os servidores, e mesas setoriais, que abordavam os itens específicos de cada categoria. O SENP andou bem, até que em 2008, unilateralmente, teve sua Mesa Central desativada, pela administração Wagner, deixando diversas discussões e acordos em aberto.
Após o esvaziamento do SENP, os trabalhadores, por entenderem a sua importância, passaram a solicitar sua reativação, colocando-o como item prioritário na pauta de reivindicações. Sem o Sistema, as dificuldades de comunicação produziram desgastes desnecessários que culminaram em situações de mobilizações, paralisações, greves, além de gerar muita insatisfação com relação à atual administração. Os sindicalistas se sentiram relegados, pois tinham em Jaques Wagner um companheiro de primeira hora e sabiam que havia a responsabilidade com os rumos da gestão, que cobrou fidelidade com veemência, mas não cumpriu os acordos que fez com as categorias.
Neste momento, as entidades de representação do funcionalismo entendem que o atual governo não respeita os trabalhadores públicos e os trata como inimigos, não reconhecendo acordos, criminalizando as greves, chegando ao extremo de corte de salários e bloqueio de do CrediCesta e de outras consignações, utilizando o poder da mídia, paga com verbas oficiais para mentir e fazer jogo de intriga entre a população e os servidores do Estado.
Como exemplos dos equívocos políticos, na área da Segurança Pública, pode-se citar o Programa Pacto pela Vida, ação que poderia se consumar como de suma importância para a sociedade, mas que o governo produziu sem levar em consideração a opinião dos trabalhadores, que são os agentes executores de todas as medidas planejadas, como os policiais, agentes de saúde, professores, assistentes sociais, dentre outros. Dessa forma, contabiliza-se para o governo a elevação traumática dos índices de violência perpetrada contra a população. A greve dos policiais militares refletiu essa situação, por se tratar de reivindicações ignoradas, acordos descumpridos, que diziam respeito, principalmente, às condições de salário e de trabalho.
Na Saúde, a relação de desrespeito geral instaurada contra o funcionalismo foi responsável por paralisações e greves. Na Educação, o descumprimento de um acordo orquestrado em novembro de 2011, concebeu a crise que culminou na greve, iniciada em 11 de abril. Em outras áreas, o clima de animosidade produziu mobilizações. Novas greves devem acontecer. Wagner demonstra uma repulsa contra os trabalhadores públicos e uma atitude de arrogância vista nos momentos mais auspiciosos do carlismo. Ao funcionalismo resta compreender que o governo corre por caminhos inóspitos, impondo a composição da unidade para o enfrentamento dessa política de arrocho, desacordos, mentiras e repressão.