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quarta-feira, 13 de abril de 2011

1933 – UMA ENTREVISTA DO HOMEM QUE “PROMOVEU” LAMPIÃO

A história da famosa promoção a capitão do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, ocorrida em Juazeiro, no ano de 1926, é de conhecimento de todos e um tema já bastante divulgado. Sobre o homem que realizou este procedimento, Pedro de Albuquerque Uchoa, muito já foi igualmente comentado.
Quem primeiro trouxe a história da patente e a figura de Uchoa ao conhecimento geral foi o cearense Leonardo Mota (1891-1947), no seu livro “No tempo de Lampião”. Lançado em 1930, a entrevista transcrita de Uchoa, colocou este funcionário público no centro das atenções.
Três anos após o lançamento do livro de Mota e sete anos depois deste acontecimento “burocrático-cangaceirístico”, Uchoa teceu mais alguns interessantes comentários relativos a este pitoresco episódio da trajetória do Rei do Cangaço.

Matéria com Uchoa.
Através da reprodução das páginas de um vespertino carioca, apresentadas na primeira página do jornal sergipano “Diário da Tarde”, de sexta-feira, 29 de setembro de 1933, vamos encontrar o funcionário público Uchoa, aparentemente vivendo na antiga Capital Federal. Pela descrição no jornal, tudo indica que ele não era mais um membro dos quadros do então Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Era apresentado pelo jornal como funcionário da “Secretaria do Tribunal”, sem especificar se era um tribunal ligado a justiça Estadual ou Federal.
O jornalista que realizou a entrevista informa que se espantou ao descobrir que estava diante do homem que forçadamente provocou uma interessante querela burocrática e o mesmo, em nenhum momento da entrevista, negou o seu ”feito”.
“- Fui eu mesmo, quando estava no Juazeiro, Ceará”. Afirmou Uchoa.
Pedro de Albuquerque Uchoa. Fonte-2ºSgt Narciso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lampião Rei do Cangaço Nordestino

Virgolino Ferreira da Silva (O Lampião), era o terceiro dos muitos filhos de José Ferreira da Silva e de Maria Lopes. Nasceu em 1898, no sítio Passagem das Pedras, pedaço de terras desmembrado da fazenda Ingazeira, às margens do Riacho São Domingos, no município de Vila Bela, atualmente Serra Talhada, no Estado de Pernambuco. Os sertões de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe serviram de palco para o drama que envolveu milhares de nordestinos... Quando Lampião andava por aqueles sertões, ali existiam onças pintadas, suçuaranas, onças pretas, veados e tipos variados de serpentes, como jararacas, jibóias, cascavéis, etc. O gavião carcará é um dos mais conhecidos habitantes dos sertões, assim como diversas espécies de lagartos. Papagaios, periquitos, canários, juritis, azulões, anus pretos e emas eram também numerosos naquela época. À beira do Rio São Francisco encontrávamos jacarés guaçú, pipira, tinga, o de papo amarelo, etc. Até o advento de Lampião, como passou a ser conhecido a partir de certo momento de sua vida, o cangaço era apenas um fenômeno regional, limitado ao nordeste do Brasil. O restante do país não se incomodava com o que não lhe dizia respeito. Mas a presença de Lampião, sua ousadia e seu destemor, fizeram do cangaceiro uma figura de destaque nos noticiários diários do país inteiro, exigindo atenção cada vez maior por parte das autoridades, que se sentiram publicamente desafiadas a liquidá-lo. Passou a ser uma questão de honra acabar com Lampião e, por via de conseqüência, com o cangaço. Em 1929, conheceu Maria Déa, a Maria Bonita, a linda mulher de um sapateiro chamado José Neném. Ela tinha 19 anos e se disse apaixonada pelo cangaceiro há muito tempo. Pediu para acompanhá-lo. Lampião concordou. Ela enrolou seu colchão e acenou um adeus para o incrédulo marido. Levou sete tiros e perdeu o olho direito. Entrevista com Lampião Lampião, durante sua visita a Juazeiro do Norte, para onde se dirigira a convite do padre Cícero Romão, para integrar o Batalhão Patriótico no combate à coluna Prestes, foi entrevistado pelo médico de Crato, Dr. Octacílio Macêdo. Naquela ocasião, como dissemos anteriormente, Lampião estava hospedado no sobrado de João Mendes de Oliveira e, durante a entrevista, foi várias vezes à janela, atirando moedas para o povo que se aglomerava na rua. Essa entrevista é considerada pelos historiadores como peça fundamental no estudo e no conhecimento do fenômeno do cangaço. Vale a pena transcrever seus trechos mais importantes, atualizando a linguagem e traduzindo os numerosos termos regionais para a linguagem de hoje. A entrevista teve dois momentos. O primeiro foi travado o seguinte diálogo: - Que idade tem? - Vinte e sete anos. - Há quanto tempo está nesta vida? - Há nove anos, desde 1917, quando me ajuntei ao grupo do Senhor Pereira. - Não pretende abandonar a profissão? A esta pergunta Lampião respondeu com outra: - Se o senhor estiver em um negócio, e for se dando bem com ele, pensará porventura em abandoná-lo? Pois é exatamente o meu caso. Porque vou me dando bem com este 'negócio', ainda não pensei em abandoná-lo. - Em todo o caso, espera passar a vida toda neste 'negócio'? - Não sei... talvez... preciso porém 'trabalhar' ainda uns três anos. Tenho alguns 'amigos' que quero visitá-los, o que ainda não fiz, esperando uma oportunidade. - E depois, que profissão adotará? - Talvez a de negociante. - Não se comove a extorquir dinheiro e a 'variar' propriedades alheias? - Oh! mas eu nunca fiz isto. Quando preciso de algum dinheiro, mando pedir 'amigavelmente' a alguns camaradas. Nesta altura chegou o 1° tenente do Batalhão Patriótico de Juazeiro, e chamou Lampião para um particular. De volta avisou-nos o facínora: - Só continuo a fazer este 'depoimento' com ordem do meu superior. (Sic!) - E quem é seu superior? - ! ! - Está direito... Quando voltamos, algumas horas depois, à presença de Lampião, já este se encontrava instalado em casa do historiador brasileiro João Mendes de Oliveira. Rompida, novamente, a custo, a enorme massa popular que estacionava defronte à casa, penetramos por um portão de ferro, onde veio Lampião ao nosso encontro, dizendo: - Vamos para o sótão, onde conversaremos melhor. Subimos uma escadaria de pedra até o sótão. Aí notamos, seguramente, uns quarenta homens de Lampião, uns descansando em redes, outros conversando em grupos; todos, porém, aptos à luta imediata: rifle, cartucheiras, punhais e balas... - Desejamos um autógrafo seu, Lampião. - Pois não. Sentado próximo de uma mesa, o bandido pegou da pena e estacou, embaraçado. - Que qui escrevo? - Eu vou ditar. E Lampião escreveu com mãos firmes, caligrafia regular. 'Juazeiro, 6 de março de 1926 Para... e o Coronel... Lembrança de EU. Virgulino Ferreira da Silva. Vulgo Lampião'. Os outros facínoras observavam-nos, com um misto de simpatia e desconfiança. Ao lado, como um cão de fila, velava o homem de maior confiança de Lampião, Sabino Gomes, seu lugar-tenente, mal-encarado. -É verdade, rapazes! Vocês vão ter os nomes publicados nos jornais em letras redondas... A esta afirmativa, uns gozaram o efeito dela, porém parece que não gostaram da coisa. - Agora, Lampião, pedimos para escrever os nomes dos rapazes de sua maior confiança. - Pois não. E para não melindrar os demais companheiros, todos me merecem igual confiança, entretanto poderia citar o nome dos companheiros que estão há mais tempo comigo. E escreveu. 1 - Luiz Pedro 2 - Jurity 3 - Xumbinho 4 - Nuvueiro 5 - Vicente 6 - Jurema E o estado maior: 1 - Eu, Virgulino Ferreira 2 - Antônio Ferreira 3 - Sabino Gomes. 

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